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Em primeiro lugar quero ressaltar – sem me sentir envergonhado – que já usei muitos materiais de aula indevidamente fotocopiados em minha trajetória como aluno e professor de inglês.

Na verdade, são raríssimos no Brasil aqueles que nunca, sob nenhuma hipótese, usaram um material pirateado seja através de fotocópias, impressões de livros ilegalmente distribuídos em PDF ou downloads ilegais de CDs e faixas de áudio.

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No final das contas a responsabilidade pela escolha foi e continua sendo minha, enquanto profissional, entre usar um material original ou outro fotocopiado.

Hoje entendo que mais do que uma responsabilidade social e legal, zelar pela propriedade intelectual do outro é uma questão de princípios e valores que carrego comigo.

Mas nem sempre eu pensei assim…

Vou aproveitar este momento para te dizer onde eu entrei em contato com essa certa “cultura da fotocópia” pela primeira vez: na universidade.

Me lembro que durante todos os anos que passei fazendo um curso superior cada professor tinha, para cada disciplina, uma pasta com os materiais preto e branco para fotocópia nas várias copiadoras espalhadas pelo campus com esse exato fim: prover fotocópias aos alunos.

Sou formado em Letras em uma universidade federal e com exceção de alguns poucos (apenas alguns poucos) livros de literatura que estavam disponíveis na biblioteca, todo o restante do material a ser lido, estudado e usado em aulas era fotocopiado.

Assim, para mim sempre foi muito comum ignorar o aviso de “proibido cópia ilegal” e utilizar material preto e branco nas salas de aula, tanto como aluno quanto como professor.

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ATENÇÃO: não estou, de forma alguma, culpando ou terceirizando a minha responsabilidade sobre meus atos legais para a universidade. As coisas aconteciam – e ainda acontecem, para todos os alunos de universidades – assim por total falta de opções. Não haveria a menor possibilidade que eu ou qualquer um dos meus colegas de sala comprássemos todos os livros originais que usamos durante o curso superior. Este relato está aqui unicamente para ilustrar a primeira experiência que eu tive com fotocópias.

Eu comecei a dar aulas particulares enquanto ainda cursava a graduação em Letras e durante anos nunca me foi um problema trabalhar com fotocópias, tanto do livro do professor, como do livro do aluno, livro de exercícios, readers (livros de literatura adaptada a níveis) ou handouts (folhas avulsas de atividades).

POR QUE EU USAVA MATERIAIS DE AULA FOTOCOPIADOS?

Simplesmente porque o valor dos materiais originais era muito maior do que o que eu podia pagar e, além disso, me parecia bobagem (santa ignorância!) comprar um material original sendo que podia fotocopiá-lo.

Não me recordo de ter tido um só aluno que houvesse reclamado dos materiais preto e branco.

E dessa forma as aulas seguiram normalmente por anos.

Até que um dia por curiosidade fui até a livraria internacional local (exemplos: SBS ou DISAL) e vi uma quantidade enorme de material disponível para ensino de língua estrangeira e adivinhe só: tudo colorido!

Por mais que eu pensasse ser bobagem, me veio uma certa sensaçãozinha gostosa de como seria usar aqueles livros bonitos, de certa forma imponentes e com cheirinho de novo (cheirinho de livro novo é uma delícia, vai?!)

Fui prontamente atendido pelo atendente da loja que me explicou sobre alguns descontos que eu teria direito ao me cadastrar na loja como professor.

Muito solícito que era, o atendente também me explicou que se eu me cadastrasse nos sites das editoras poderia receber alguns materiais gratuitos diretamente delas.

E assim o fiz, cheguei em casa e me cadastrei em tudo quanto foi livraria e editora que eu encontrei online.

Você não imagina qual foi a minha alegria ao chegar em casa alguns dias depois e ver sacolas de materiais gratuitos que algumas dessas editoras me enviaram.

Tudo para mim! Que tinha apenas meia dúzia de alunos particulares! (O restante dos meus alunos era dos institutos de idiomas em que eu lecionava)

Havia catálogos, canetas, blocos, revistas… Tinha até um dicionário!!!!! Uau!

A partir daí eu resolvi dar um voto de confiança e adotei um livro didático que eu achava interessante na época, o New English File, e a pedir que meus alunos novos o comprassem.

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Por falar nisso, não perca o Guia para Escolha de Material Didático que está disponível gratuitamente para download no texto deste link.


BENEFÍCIOS DOS MATERIAIS DE AULA ORIGINAIS

A curto prazo, o que pude observar é que os alunos estavam mais satisfeitos com o material e tinham até orgulho de mostrá-lo!

A médio prazo notei que, de certa forma e até um certo ponto, material retém aluno.

WHAAT?!

Vou explicar.

Alguns dos meus alunos com problemas financeiros ou de agenda que já estavam na metade do material, preferiam esperar que o livro acabasse para interromperem o curso.

O detalhe interessante é que nesse meio tempo, alguns deles resolveram as pendências que tinham e sequer precisaram cancelar.

É óbvio que o aluno não vai desistir de cancelar única e exclusivamente por causa do material, mas já é um pontinho a mais a ser levado em consideração na mente dele.

A médio e longo prazo também tive um resultado inesperado: alguns clientes me procuraram, atraídos pelo material que os meus alunos estavam usando.

A lógica é a seguinte:

Meus alunos estavam usando um material original, atraente e que gerava autoridade.

Assim, eles não tinha vergonha de mostrar esse material a outras pessoas.

Por exemplo, ao chegar na empresa que trabalhava, o aluno não mais escondia a pilha de fotocópias preto e branco na gaveta, mas podia deixar aquele livro colorido à vista que, por sua vez, atraía olhares e comentários de outros colegas de trabalho que passavam perto.

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Meus alunos me relatavam que muito comumente esse livro à vista era usado como quebra-gelo no início de uma conversa, com as pessoas perguntando: “Onde você faz inglês?”.

Daí para frente, a conversa inevitavelmente chegaria ao meu nome e pronto! Mais uma indicação.


Veja mais sobre Como a Relevância nas Divulgações te leva a ter mais alunos particulares de idiomas no texto deste link.


 PLANO DE AÇÃO

Com esse feedback interessante dos alunos, passei a utilizar e a criar materiais originais, coloridos e atraentes com todos os meus alunos particulares.

Hoje, todo o meu material carrega meu logotipo, a grande maioria dele é colorido e alguns levam inclusive minhas formas de contato.

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Tudo para que o aluno sinta-se orgulhoso em mostrar os materiais e eu ganhar indicações que de outra forma não aconteceriam.

Assim sendo, as lições que tive e citei neste texto são:

– Use livros e materiais originais;

– Prefira entregar material colorido e com alta qualidade de impressão (nada de imprimir preto e branco no modo rascunho);

– Coloque seu logotipo (ou seu nome, caso não tenha um logotipo) e se possível seus contatos em tudo o que você criar para usar em sala de aula;

– Se você usa muitas atividades em folhas avulsas, considere confeccionar um organizador tipo fichário, devidamente ornado com seu logotipo, nome e dados de contato, para cada aluno. Assim eles não perderão as folhas e você ganha divulgação a baixo custo;

Abolição da fotocópia ilegal.

Seus materiais coloridos e de alta qualidade de impressão se destacam em meio a qualquer pilha de papéis e pastas preto e branco, então use-os!

Lembre-se que um número grande de pessoas verá esses materiais a cada lugar que seus alunos forem antes ou depois das aulas.

É marketing de indicação a um preço relativamente leve.

 DÚVIDA

Uma dúvida muito frequente dos professores de idiomas que recebem essa informação é se os alunos aceitam comprar materiais sem relutar.

E a resposta é que se forem alunos novos, sim!

Particularmente, nunca tive um aluno sequer que reclamou quando eu disse o valor do material original.

É claro que para isso eu não dou a opção da fotocópia. Já explico desde a entrevista inicial que o material pode ser comprado na livraria com o valor médio de X reais.

Quando nem se cogita a possibilidade de uso de material fotocopiado, esse ponto não costuma aparecer nas entrevistas iniciais. Caso ainda assim apareça, é fácil e rápido manter a sua postura, desde que você realmente acredite nela.

Por outro lado é possível encontrar resistência na troca de materiais fotocopiados para materiais originais com alunos que já estejam em curso.

Para estes a melhor saída é esperar que terminem o livro que estão utilizando e a partir daí sugerir a compra do material, mas mesmo antes disso acontecer, todo o seu material enquanto professor já tem que estar colorido, em alta qualidade e original.

Lembre-se que a melhor liderança vem do exemplo.

Você também tem exemplos de cases onde o material original ou colorido te trouxe benefícios?

Conte a sua história nos comentários logo abaixo ou entre em contato comigo.

Será um prazer conhecer a sua experiência!

Vinicius Diamantino

Vinicius Diamantino

Opa, tudo joia? Meu nome é Vinicius Diamantino, eu sou o fundador do Portal DeProfPraProf, Professor de Inglês há mais de 11 anos e Master Coach com foco educacional. Além de Professor de vários cursos aqui do Protal também escrevo artigos para o Blog interno e para alguns dos maiores blogs de Ensino de Língua Inglesa do Brasil: o Blog Disal e o Blog RichmondShare.

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