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Aproveitando o fim de ano, é época de pensar nos planos para as aulas do ano seguinte. Além de verificar qual material será usado, onde serão divulgadas as aulas e outros detalhes didáticos, as questões financeiras também ressurgem e dentre elas uma questão recorrente: como fazer o reajuste da mensalidade?

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Papai Noel, que reajuste trazes para mim?

Antes de entrar na discussão em si, é importante considerar um fato bem relevante: As atividades empresariais são regulamentadas ou não regulamentadas.

O que isso quer dizer?

Uma atividade regulamentada possui regras observadas por lei, em que as empresas são obrigadas a seguir. Um exemplo disso seriam as escolas particulares de ensino básico. O MEC as acompanha e analisa a qualidade do serviço prestado, levando em conta uma série de diretrizes. Caso a empresa fuja do padrão esperado, ela pode ser multada ou até mesmo fechada.

O mesmo ocorre em muitas outras áreas, como a vigilância sanitária que regula a qualidade da comida. No caso da internet, o órgão responsável é a Anatel. Sobre a educação, o MEC.

Isso é necessário pois espera-se que uma qualidade mínima seja oferecida e sabe-se que caso não se imponha essa exigência mínima, muitas pessoas de má fé irão, sem qualquer tipo de dó, extrapolar com a população e lucrar da forma mais agressiva possível.

Se o mercado não é regulamentado, não existem regras específicas que deverão ser seguidas, cabendo apenas a lei básica geral.

Então… onde as aulas particulares de inglês se encaixam?

No mercado não regulamentado. Não temos obrigação de prestar contas, de atender índices de qualidade ou de entregar dados ao MEC. Nem mesmo temos regulação na forma de cobrança, estando livres para fazer como quisermos. O mais próximo de algum tipo de regulação seria o MEI, que ainda não exige nada em relação a como suas aulas funcionam.

Isso é bom e ruim.

É bom pois permite total liberdade em atuar de forma inovadora.

É ruim pois permite que pessoas com ética e moral inferiores atuem com a mesma liberdade.

Como somos pessoas éticas e queremos oferecer o melhor para nossos alunos de forma honesta e que além de atingir resultados nos faça viver bem financeiramente, o nosso planejamento é um pouco complexo, mas nada impossível.

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Reajuste pequeno ou grande? Depende de como vamos planejá-lo

Tudo isso que escrevi até aqui é para explicar um ponto importante nos reajustes: em mercados regulamentados, o reajuste deve seguir regras específicas. Nos não regulamentados, não existe uma regra sobre como isso deve ser feito. Vejamos o caso de imobiliárias, que é regulamentado.

Nesse tipo de empresa, o reajuste do aluguel não pode ser feito de qualquer forma. Ele obrigatoriamente deve seguir o IGPM. Assim, se você aluga uma casa via imobiliária, nunca é uma escolha sua como o reajuste será feito, cabendo apenas ler o índice e aplicar o novo valor.

Além do IGPM existe a SELIC e o IPCA. Todos são índices que medem a situação econômica do país e podem ser usados em alguma situação específica. No nosso caso, podemos escolher qualquer um deles ou até mesmo nenhum.

Quando a gente olha a tabela desses índices pode parecer um pouco confuso. Vamos entender um pouco melhor o que é cada um e escolher qual deles se encaixaria melhor nos reajustes de aula?

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Hora de olhar as tabelas!
IGPM

ÍNDICE GERAL DE PREÇOS DO MERCADO — IGP-M (todos os índices têm links no nome para quem quiser conferir)

Esse índice é calculado pela FGV e serve para dimensionar como está a inflação do país. Ele utiliza os seguintes fatores:

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Fonte: http://www.portalbrasil.net/igpm.htm

O maior problema desse índice para os professores é que ele usa bastante a variação de preço de atacado. Isso quer dizer que conforme o preço de produtos vendidos em grandes lotes cai, o índice também abaixa. Só que quando isso ocorre, não necessariamente os mercados repassam a diminuição do preço para o consumidor final.

Caso nós sigamos esse índice, normalmente encontramos situações estranhas, como a atual, em Dezembro de 2017, em que o índice aponta uma queda na inflação de 0,8%, depois de vários meses também de queda. Essa queda não é facilmente vista nas prateleiras do mercado, pois não é aí que a pesquisa tem maior peso. Ou seja, se seguirmos cegamente esse índice, poderemos fazer nossa mensalidade abaixar em épocas que o custo de vida não abaixou. Nada vantajoso, né?

SELIC

Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic)

A SELIC é um índice que mede a situação dos juros no Brasil. Ela é usada para calcular quanto de juros vai incidir sobre empréstimos, cheque especial (aquela coisa linda que mostra que o milagre da multiplicação é possível — para os bancos) e financiamentos.

Dessa forma, a Selic está bem mais distante da nossa realidade, pois não oferecemos serviços financeiros. De toda forma, é importante saber mais sobre, pois ela afeta nossa vida dentro de todas as necessidades bancárias que temos e teremos no futuro. Em breve, vamos falar mais a respeito.

IPCA

ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO — IPCA

O IPCA é medido pelo IBGE. Esse índice faz um cálculo bem diferente e atribui mais peso em setores relacionados com o consumidor final, como podemos ver na tabela abaixo.

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Fonte: http://www.portalbrasil.net/ipca.htm

Por causa disso, esse índice é muito mais interessante para observar como o preço chega no consumidor final. No caso, em dezembro de 2017, ele está em 2,7 positivo. Comparando com 0,8 negativo do IGPM, qual das duas situações parece mais real para sua vida financeira:

(1) os preços não abaixaram no geral e alguns ainda subiram um pouco nos últimos meses;

(2) os preços caíram nos últimos meses e agora ainda caem, mas não tanto.

Se a situação 1 for mais comum para você, provavelmente o IPCA mede melhor sua realidade financeira. Se for a situação 2, é o IGPM que cuida do seu bolso.

Logo, se você reajustar seus preços seguindo o IGPM, teria que baixar o preço de suas aulas desse ano. Pelo IPCA, você teria que subir.

Entre os dois, eu considero o IPCA muito mais próximo da nossa vida. Os professores particulares levam uma vida de consumidor final: mesmo que tenhamos CNPJ, ainda temos que ir no mercado e comprar os produtos um a um. A maioria não possui casas para receber aluguel e não possui vínculos com a indústria.

Como a escolha é livre sobre qual índice utilizar, fica para cada um escolher o que mais lhe convém.

Além disso, é possível até mesmo fixar um reajuste anual, como 5% ou 10%, independentemente dos índices.

Há vantagens e desvantagens para essa prática também.

A vantagem é que você garante o aumento constante do preço, o que a princípio pode parecer seguro financeiramente para o professor.

O problema é que esse aumento constante pode gerar insatisfação por parte dos alunos, ainda mais se eles entendem sobre reajuste. Soa bem arbitrário forçar um aumento fixo sem qualquer respaldo na situação econômica do país, o que pode fazer com que seja mais difícil convencer o cliente a acatar o preço mais alto. Além disso, é bem possível que em épocas de inflação alta esses índices ultrapassem os 10% e o nosso reajuste fixo não pode simplesmente deixar de ser fixo pelo comodismo de se ter uma inflação alta. O que pode ser ainda mais complicado se o reajuste estiver definido por contrato.

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Ao escolher, observemos sempre os prós e contras. Não existe cenário ideal

Então, resumidamente, podemos pautar os reajustes em:

1. IGPM: índice menos realista em relação ao custo de vida do cidadão comum;

2. SELIC: taxa de juros para operações financeiras;

3. IPCA: índice mais próximo ao custo de vida do cidadão comum;

4. Aumento fixo: que sempre acontece igual, não flutua junto com a inflação e pode ter problemas com alunos que entendam de índices financeiros, além de ficar defasado em épocas de inflação alta.

Conclusão

Sendo assim, aconselho a utilizar o IPCA, pois como o intuito dos índices é corrigir a inflação, você ficará protegido contra desvalorizações de forma bem mais realista e possuirá um forte argumento sobre o motivo de ser necessário fazer o reajuste.

Carlos Nascimento

Carlos Nascimento

Formado em Letras e mestrado em Linguística pela UNESP e atua como professor de inglês há mais de 10 anos. Com a experiência de administrar uma escola e por ter uma formação também em Administração, hoje estuda com muito mais afinco questões econômicas e financeiras que envolvem o mundo do professor particular.

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